sábado, 28 de maio de 2016

Obeso, Magro, Exercício, Saúde


Frequentemente me perguntam “Se uma pessoa obesa, mas fisicamente ativa é mais saudável do que uma pessoa magra sedentária?”…À priori sim, mas vamos discutir à luz da ciência.
Estudos sobre indivíduos obesos, mas metabolicamente “saudáveis” e indivíduos magros, mas metabolicamente “doentes”, têm sido desenvolvidos nos últimos anos para que possamos entender essa relação entre estar obeso e ser “saudável” ou estar magro e ser “doente”. Por exemplo, Karelis et al. (2004) descreveram um indivíduo obeso metabolicamente saudável como aquele sujeito com baixa quantidade de gordura visceral, índice de massa corporal (IMC) elevado >30 kg/m², grande quantidade de massa gorda, alta sensibilidade à insulina, nível de HDL (colesterol BOM) alto e baixo nível de triglicérides, enquanto que o sujeito magro metabolicamente “doente” possui alta concentração de gordura visceral, baixo IMC <25 kg/m², baixa quantidade de gordura corporal, baixa sensibilidade à insulina, baixo nível de HDL e alto nível de triglicérides.
Um sujeito é considerado metabolicamente saudável quando apresenta as seguintes características: baixo nível de gordura visceral, IMC entre 19 e 25 kg/m², baixa quantidade de gordura corporal, alta quantidade de massa muscular, alta sensibilidade à insulina, baixa quantidade de gordura hepática, baixos níveis de triglicérides e HDL alto.
De acordo com os critérios acima, é plausível esperar que o controle de peso por meio de uma alimentação equilibrada e balanceada associada à prática regular de exercícios físicos seja eficaz para todos e, é preferível estar acima do peso, mas praticando exercícios do que estar com o peso dentro da normalidade e ser sedentário. Não quero em hipótese alguma sugerir que a sustentação da obesidade seja de todo saudável, mesmo que se exercite, pois a obesidade associa-se a inúmeros fatores de riscos (BLÜHER, 2014), inclusive ortopédicos, mas isso será tema de outro texto.
Abraços e até o próximo.
Referências:
Karelis, AD; et al. Metabolic and Body Composition Factors in Subgroups of Obesity: What Do We Know? J Clin Endocrinol Metab 89: 2569–2575, 2004.
Blüher M. Are metabolically healthy obese individuals really healthy? European Journal of Endocrinology 171: R209–R219, 2014.

Emagrecimento: Alta ou Baixa Intensidade?


O gasto energético diário ocorre por meio de três principais fatores: a taxa metabólica basal (TMB), o efeito térmico do alimento (ETA) e, o gasto energético proveniente das atividades físicas (FOUREAUX, PINTO e DÂMASO, 2006).
De acordo com a intensidade da atividade física/exercício físico, o gasto energético poderá ser maior ou menor durante e após o término do esforço físico. Exercícios de baixa intensidade promovem maior utilização de gordura corporal durante a prática da atividade, porém, após o término da atividade e nas horas subsequentes, esse consumo de gordura é reduzido quando comparado aos exercícios realizados com alta intensidade.
Nas figuras (a: baixa intensidade) e (b: alta intensidade) podemos visualizar o comportamento do consumo de oxigênio (débito de O2) após o término  do exercício físico. Vemos que na figura (b) há maior consumo de oxigênio (O2) posterior ao esforço, esse consumo de O2 pós-exercício é denominado de EPOC (consumo excessivo de oxigênio pós-exercício) e, este por sua vez, associa-se à maior utilização de gordura corporal por períodos maiores, contribuindo assim para um emagrecimento mais efetivo.
Portanto, aquela noção de que para ocorrer maior consumo de gordura corporal seria necessário somente horas de esforço aeróbio, não se sustenta. Quando analisamos estudos como o Schuenke et al. (2002) que aplicaram três exercícios de força (power clean, supino reto e agachamento) com 10 repetições máximas, verificamos maior consumo de O2 após um e dois dias (vide gráfico) consecutivos. Desta forma, se há maior consumo de O2, consequentemente haverá maior consumo de gordura corporal para a manutenção da ressíntese de ATP (adenosina trifosfato) em níveis basais/repouso.
Obs.: Consulte um profissional de educação física habilitado, somente ele saberá se você está apto para a realização de exercícios com alta intensidade e, se estes exercícios não lhe causarão nenhuma lesão.
Referências:
Schuenke, MD; Mikat, RP; McBride, JM. Effect of an acute period of resistance exercise on excess post-exercise oxygen consuptiom: implications for body mass management. Eur J Appl Physiol. 86:411-17, 2002.
Foureaux, G; Pinto, KMC; Dâmaso, A. Efeito do consumo excessivo de oxigênio após exercício e da taxa metabólica de repouso no gasto energético. Rev Bras Med Esporte. 12(6):393-98, 2006.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Suplemento Alimentar: Para que Serve?


O uso de suplementos alimentares tem aumentado à cada ano e, esta tendência continuará para o futuro, pois cada vez mais as pessoas possuem tempo para o preparo e ingestão adequada de nutrientes ao longo do dia. No entanto, poucas pessoas sabem o que são suplementos alimentares e, pior, algumas ainda o confunde com esteroides androgênicos anabolizantes “BOMBA”.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sob a portaria nº 32 de 13 de janeiro de 1998, define suplementos vitamínicos e/ou de minerais como “Alimentos que servem para complementar com vitaminas e minerais a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requerer suplementação. Devem conter um mínimo de 25% e no máximo até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de vitaminas e/ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva” (GOSTON e CORREIA, 2009).
Os produtos como albumina, aminoácidos, hipercalóricos, bebidas isotônicas e produtos à base de carboidratos são considerados, de acordo com a Portaria de nº 222, publicada pelo Ministério da Saúde em 1998, Alimentos para Praticantes de Atividade Física, uma categoria de produtos com finalidade e público específicos – um subgrupo dos chamados Alimentos para Fins Especiais (ALVES, 2002).
As funções básicas dos suplementos são: a) servir como fonte de energia; b) regular os processos pelos quais a energia é produzida pelo corpo; e, c) promover o crescimento e o desenvolvimento dos tecidos corporais. São divididos em: a) repositor hidroeletrolítico para praticantes de atividade física; b) repositores energéticos para atletas; c) alimentos proteicos para atletas; d) alimentos compensadores para praticantes de atividades físicas; e) aminoácidos de cadeia ramificada para atletas.
Nos próximos posts falarei sobre os suplementos mais conhecidos e se realmente são necessários e/ou eficazes.
Até mais.
Referências:
ALVES, L. A. Recursos ergogênicos nutricionais. Revista Mineira de Educação Física, Viçosa, v.(10), n.(1), p. 23-50, 2002.
GOSTON, J. L.; CORREIA, M. I. T. D. Suplementos nutricionais: histórico, classificação, legislação e uso em ambiente esportivo.Nutrição em Pauta, v.(98), p. 20-23, 2009.

Quem é o seu cliente?

Adulto Jovem (período aproximado dos 18 aos 35 anos de idade)
Após os 18 anos, a grande tarefa do jovem é a busca de uma identidade própria, deve provar a sua competência para si e para o meio em que vive. Ao redor dos 30 anos, o indivíduo começa a se preocupar mais consigo próprio, pois a sua competência já foi provada.
Adulto Maduro/Meia Idade (entre 35 a 55 anos de idade)
Ocorre uma reavaliação dos propósitos pessoais, os indivíduos passam a ser provedores de sua própria autoconfiança e segurança, assumindo e reintegrando a sua identidade. Ao final desta etapa, para alguns começam a ocorrer perdas que produzem sentimento do “lar vazio” (independência dos filhos, aposentadoria, mortes, etc.).
Dos 30 aos 45-50 anos ocorre uma diminuição no rendimento motor ligado aos esportes. Já ao redor dos 45-50 anos de idade, a involução motora é progressiva e perceptível, principalmente, nas pessoas que são inativas fisicamente.
Adulto Idoso (acima de 60 anos de idade)
A entrada se dá através do envelhecimento biológico, que é irreversível, no entanto, este envelhecimento está estritamente ligado ao modo de vida, o que quer dizer que, quanto mais os sistemas e funções forem estimulados, menores serão as perdas biológicas.
As causas das alterações do rendimento motor são a diminuição da força muscular, da mobilidade articular e redução de todos os tecidos do corpo, além da eficiência reduzida do sistema cardiorrespiratório.
A recepção e elaboração de informações diminuem devido a uma redução nas atividades do sistema nervoso central, assim a velocidade de reação, do equilíbrio e a coordenação motora, também são afetadas.

Hábitos Saudáveis

Uma ótima saúde se constrói ao longo dos anos, para isso, necessitamos criar o hábito de nos exercitar regularmente e nos alimentar de maneira equilibrada e balanceada. Depois é só repetir de novo, de novo, de novo.


Treinamento

A prática de exercícios físicos é regida por inúmeros princípios que determinam a melhor forma de se conduzir um determinado tipo de treinamento, seja para melhorar os níveis de força, seja para aumentar a capacidade cardiorrespiratória.