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domingo, 5 de junho de 2016

L-Carnitina: Presta ou Não Presta?


Antes de falar sobre a suplementação com L-CARNITINA, vamos entender basicamente o processo pelo qual a “gordura” é transportada para dentro da mitocôndria e então oxidada “queimada”.
A carnitina é sintetizada no organismo a partir dos aminoácidos LISINA e METIONINA (COELHO-RAVAGNANI e SANTINI, 2014), atua no transporte de acil-Coa para o interior da mitocôndria, onde será metabolizada por meio da beta-oxidação até a ressíntese de ATP (adenosina trifosfato) “energia” no ciclo de Krebs e cadeia transportadora de elétrons.
Na imagem de Pekala et al. (2011) temos a descrição da sequência de transporte da acil-Coa pela carnitina através da membrana mitocondrial por meio da carnitina acil transferase I –CAT I (membrana externa) e carnitina acil transferase II – CAT II (membrana interna) e carnitina acilcarnitina translocase que atua entre as duas CAT. À priori, imagina-se que se aumentar o número de carnitina aumentará também a translocação de acil-Coa e consequentemente o consumo de “gordura”. No entanto, os estudos disponíveis até o momento não denotam a eficácia da suplementação com L-CARNITINA para a maior oxidação de gordura subcutânea e o consequente emagrecimento.
No estudo de Villani et al. (2000) foi verificado após o uso de L-CARNITINA a manutenção da massa corporal, aumento das dobras cutâneas e redução insignificante do percentual de gordura corporal. Resultado similar foi observado por Coelho-Ravagnani et al. (2010) após 30 dias de suplementação com L-CARNITINA, onde os autores concluíram não haver efeito sobre a taxa metabólica de repouso (TMR), oxidação de ácidos graxos livres, índice de massa corporal, percentual de gordura e circunferência da cintura.
Embora o uso de L-CARNITINA não tenha favorecido aumento na oxidação de gordura subcutânea e redução do percentual de gordura, alguns estudos clínicos têm observado a utilidade da sua suplementação sobre o estresse oxidativo (POLIMENI et al., 2015) e redução na concentração de lipoproteínas plasmáticas (SERBAN et al., 2016). No entanto, ainda é cedo para extrapolar esses resultados para a grande população, necessitando de mais tempo de pesquisa e investigação da segurança do uso de L-CARNITINA para esse propósito.
Referências:
Villani et al. L-carnitine supplementation combined with aerobic training does not promote weight loss in moderately obese women. Int J of Sport Nutrition and Exercise Metabol. 2000; 10:199-207.
Pekala et al. L-carnitine metabolic functions and meaning in humans life. Current Drug Metabolism. 2011; 12:667-678.
Coelho-Ravagnani et al. A suplementação de L-carnitina não promove alterações na taxa metabólica de repouso e na utilização dos substratos energéticos em indivíduos ativos. Arq Bras Endocrinol Metab. 2010; 54(1):37-44.
Coelho-Ravagnanin CF; Santini E. Carnitina in: Tratado de nutrição esportiva funcional. Editora Roca, 2014; 738-753.
Polimeni et al. Oxidative stress: New insights on the association of nonalcoholic fatty liver disease and atherosclerosis. World J Hepatol. 2015; 7(10): 1325-1336.
Serban et al. Impact of L-carnitine on plasma lipoprotein(a) concentrations: A systematic review and metaanalysis of randomized controlled trials. Nature Scientific Reports. 6:19188 | DOI: 10.1038/srep19188.

sábado, 28 de maio de 2016

Emagrecimento: Alta ou Baixa Intensidade?


O gasto energético diário ocorre por meio de três principais fatores: a taxa metabólica basal (TMB), o efeito térmico do alimento (ETA) e, o gasto energético proveniente das atividades físicas (FOUREAUX, PINTO e DÂMASO, 2006).
De acordo com a intensidade da atividade física/exercício físico, o gasto energético poderá ser maior ou menor durante e após o término do esforço físico. Exercícios de baixa intensidade promovem maior utilização de gordura corporal durante a prática da atividade, porém, após o término da atividade e nas horas subsequentes, esse consumo de gordura é reduzido quando comparado aos exercícios realizados com alta intensidade.
Nas figuras (a: baixa intensidade) e (b: alta intensidade) podemos visualizar o comportamento do consumo de oxigênio (débito de O2) após o término  do exercício físico. Vemos que na figura (b) há maior consumo de oxigênio (O2) posterior ao esforço, esse consumo de O2 pós-exercício é denominado de EPOC (consumo excessivo de oxigênio pós-exercício) e, este por sua vez, associa-se à maior utilização de gordura corporal por períodos maiores, contribuindo assim para um emagrecimento mais efetivo.
Portanto, aquela noção de que para ocorrer maior consumo de gordura corporal seria necessário somente horas de esforço aeróbio, não se sustenta. Quando analisamos estudos como o Schuenke et al. (2002) que aplicaram três exercícios de força (power clean, supino reto e agachamento) com 10 repetições máximas, verificamos maior consumo de O2 após um e dois dias (vide gráfico) consecutivos. Desta forma, se há maior consumo de O2, consequentemente haverá maior consumo de gordura corporal para a manutenção da ressíntese de ATP (adenosina trifosfato) em níveis basais/repouso.
Obs.: Consulte um profissional de educação física habilitado, somente ele saberá se você está apto para a realização de exercícios com alta intensidade e, se estes exercícios não lhe causarão nenhuma lesão.
Referências:
Schuenke, MD; Mikat, RP; McBride, JM. Effect of an acute period of resistance exercise on excess post-exercise oxygen consuptiom: implications for body mass management. Eur J Appl Physiol. 86:411-17, 2002.
Foureaux, G; Pinto, KMC; Dâmaso, A. Efeito do consumo excessivo de oxigênio após exercício e da taxa metabólica de repouso no gasto energético. Rev Bras Med Esporte. 12(6):393-98, 2006.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Suplemento Alimentar: Para que Serve?


O uso de suplementos alimentares tem aumentado à cada ano e, esta tendência continuará para o futuro, pois cada vez mais as pessoas possuem tempo para o preparo e ingestão adequada de nutrientes ao longo do dia. No entanto, poucas pessoas sabem o que são suplementos alimentares e, pior, algumas ainda o confunde com esteroides androgênicos anabolizantes “BOMBA”.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), sob a portaria nº 32 de 13 de janeiro de 1998, define suplementos vitamínicos e/ou de minerais como “Alimentos que servem para complementar com vitaminas e minerais a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requerer suplementação. Devem conter um mínimo de 25% e no máximo até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) de vitaminas e/ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva” (GOSTON e CORREIA, 2009).
Os produtos como albumina, aminoácidos, hipercalóricos, bebidas isotônicas e produtos à base de carboidratos são considerados, de acordo com a Portaria de nº 222, publicada pelo Ministério da Saúde em 1998, Alimentos para Praticantes de Atividade Física, uma categoria de produtos com finalidade e público específicos – um subgrupo dos chamados Alimentos para Fins Especiais (ALVES, 2002).
As funções básicas dos suplementos são: a) servir como fonte de energia; b) regular os processos pelos quais a energia é produzida pelo corpo; e, c) promover o crescimento e o desenvolvimento dos tecidos corporais. São divididos em: a) repositor hidroeletrolítico para praticantes de atividade física; b) repositores energéticos para atletas; c) alimentos proteicos para atletas; d) alimentos compensadores para praticantes de atividades físicas; e) aminoácidos de cadeia ramificada para atletas.
Nos próximos posts falarei sobre os suplementos mais conhecidos e se realmente são necessários e/ou eficazes.
Até mais.
Referências:
ALVES, L. A. Recursos ergogênicos nutricionais. Revista Mineira de Educação Física, Viçosa, v.(10), n.(1), p. 23-50, 2002.
GOSTON, J. L.; CORREIA, M. I. T. D. Suplementos nutricionais: histórico, classificação, legislação e uso em ambiente esportivo.Nutrição em Pauta, v.(98), p. 20-23, 2009.

Hábitos Saudáveis

Uma ótima saúde se constrói ao longo dos anos, para isso, necessitamos criar o hábito de nos exercitar regularmente e nos alimentar de maneira equilibrada e balanceada. Depois é só repetir de novo, de novo, de novo.