domingo, 28 de setembro de 2014

Exercícios em bases estáveis versus instáveis


Vira e mexe me perguntam em meus cursos ou aulas de Pós-Graduação o que eu "acho" sobre o agachamento realizado sobre bases instáveis.
 
Pois bem, a literatura científica nos mostra que dependendo do objetivo o uso de bases instáveis são excelentes ou não. 

No estudo conduzido por Drinkwater et al. (2007) - imagens postadas - foi evidenciado redução na força, velocidade e potência ao longo de todo o movimento à medida que se utilizava bases de apoio mais instáveis. Desta forma, os autores sugerem ser um equívoco utilizar o recurso de bases instáveis quando se tem como objetivo o aumento de força e potência muscular.

Num estudo recente (Zemkova et al., 2014) dois protocolos de agachamento foram comparados, um sobre o BOSU e outro sobre o solo. Os resultados observados denotaram piora na potência após a realização do agachamento sobre a base instável (BOSU).

Entretanto, ambos os estudos sugerem que se o objetivo for melhorar o equilíbrio, a propriocepção e a ativação muscular do tronco, a utilização de bases instáveis cumprem com o esperado, particularmente quando se utiliza cargas mais leves (50 - 60% 1 RM).

Portanto o bom senso e o conhecimento prevalecem mais uma vez, nada de colocar uma carga com 85% de 1 RM e subir sobre uma bola Suíça esperando conseguir maior hipertrofia do quadríceps. 

Agachamento completo versus parcial

Agachamento profundo ou até 90°?

Eu poderia me estender muito apontando vantagens e desvantagens, explicações cinesiológicas e biomecânicas, mas como o dia foi longo e o cansaço chegou, resumirei em algumas palavras: DEPENDE da ESPECIFICIDADE e INDIVIDUALIDADE BIOLÓGICA.

Schoenfeld e Williams (2012) publicaram no conceituado "Strength and Conditioning Journal" a seguinte informação: "...Não há evidências suficientes para suportarem a afirmação de que o agachamento completo seja prejudicial para aqueles com a função do joelho saudável". Ainda, os autores sugerem que o agachamento profundo traria uma série de benefícios importantes, incluindo maior ativação muscular e desenvolvimento, melhora da capacidade funcional, e melhor desempenho atlético. Reforçam que há pouca razão para se evitar esse exercício desde que não haja contraindicações médicas.

Resumindo, o bom senso e o conhecimento prévio das condições de seu aluno são fatores determinantes na decisão de se realizar ou não esse tipo de exercício.

sábado, 20 de setembro de 2014

GymNutri 2014

O Simpósio GymNutri® surge pela necessidade de aproximar os conhecimentos científicos da aplicação prática pelos profissionais envolvidos com o exercício físico e a nutrição.

A edição de lançamento do GymNutri® ocorrerá no dia 15 de novembro e contará com palestras de profissionais/pesquisadores com larga experiência em exercício físico e nutrição esportiva.

Interessados em apoiar o evento poderão entrar em contato via e-mail: reis.santini@gmail.com ou fone/whatsapp: (65) 9602-3130.

Em breve estaremos disponibilizando as informações para inscrição, assim como, a programação do evento.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Esteroides androgênicos anabolizantes - parte V


Por Adilson Reis Filho

Nesta última parte falarei dos principais efeitos colaterais advindos do uso dos esteroides androgênicos anabolizantes seja pela exposição aguda, crônica, por dosagem fisiológica ou dosagem supra fisiológica.

Dentre os efeitos colaterais temos: hipertrofia do clitóris, ginecomastia (aumento da mama nos homens devido a maior atividade da aromatase), alopecia (queda de cabelo - calvície), atrofia dos testículos, formação de ateromas (placas de gordura nas artérias), acnes (em decorrência do aumento da 5-alfa-redutase que eleva a secreção das glândulas cebáceas), engrossamento da voz em mulheres, redução do HDL (colesterol bom) e aumento do LDL (colesterol ruim), câncer de próstata, câncer no fígado, entre outros.

Em relação à reposição hormonal durante a andropausa ainda é controverso, nível de evidência D (muito fraco), já em relação à reposição em homens hipogonádicos o nível de evidência é A (forte).

Exposto tudo isso, fica à critério de cada um fazer uso ou não dos esteroides androgênicos anabolizantes, afinal o livre arbítrio serve para isso, mas pense bem e converse com um médico endocrinologista para ver o que acha.

‪#‎anabolizantes‬ ‪#‎hipertrofia‬ ‪#‎efeitoscolaterais‬ ‪#‎musculacao‬

Esteroides androgênicos anabolizantes - parte IV


Por Adilson Reis Filho 

Como proposta terapêutica, os esteroides androgênicos anabolizantes têm sido administrados no tratamento das deficiências androgênicas, tais como o hipogonadismo (Bhasin et al., 1997; De Rose e Nóbrega, 1999), micropênis neonatal, deficiência androgênica parcial em homens idosos, deficiência androgênica secundária a doenças crônicas e na contracepção hormonal masculina (Conway et al., 2000).

A terapia androgênica também pode ser utilizada no tratamento da osteoporose, da anemia causada por falhas na medula óssea ou nos rins (De Rose e Nóbrega, 1999; Conway et al., 2000), no câncer de mama avançado (Eberling et al., 1994) e até mesmo em situações especiais de obesidade (Corrigan, 1999).

Os esteroides têm sido utilizados no tratamento da sarcopenia relacionada a AIDS, na fadiga em pacientes com doença renal crônica submetidos à diálise (Johansen et al., 1999).

Esteroides androgênicos anabolizantes - parte III


Por Adilson Reis Filho

Os esteroides sintéticos (testosterona) geralmente possuem modificações na molécula a fim de aumentar sua efetividade (Wilson, 1988). Estas modificações podem ser do tipo A (esterificação do grupo 17-b hidroxil); tipo B (alquilação na posição 17-a); tipo C (modificação na estrutura do anel esteroidal).

As modificações do tipo B apresentam maior toxicidade hepática, pois ocorre maior esforço do fígado para metabolizar este tipo de esteroide.

Dentre os efeitos dos esteroides androgênicos anabolizantes, temos: efeitos androgênicos (confere características masculinizantes, tais como o aumento de pêlos faciais em mulheres, aumento do tom grave da voz, entre outros); efeitos anabólicos (relacionado principalmente ao aumento da retenção de nitrogênio e, consequentemente aumento da hipertrofia muscular).

Esteroides androgênicos anabolizantes - parte II


Por Adilson Reis Filho

No indivíduo adulto a secreção de testosterona é controlada pelo sistema nervoso central por meio da hipófise anterior que modula a atividade de glândulas endócrinas presentes no sistema reprodutor através do eixo hipotálamo - hipófise - gonadal. O hipotálamo através do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) modula a liberação do hormônio folículo estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH). A síntese e o nível plasmático de testosterona são controlados por ação dos hormônios gonadotrópicos da hipófise (FSH e LH). O FSH que atua nas células de Sertoli é responsável pela gametogênese e o LH que atua nas células intersticiais de Leydig, pela secreção de testosterona (Hardman et al., 1996; Rang et al., 1997).

Amanhã posto as demais partes, falando sobre os efeitos benéficos e colaterais. 
#‎saúde‬ ‪#‎anabolizantes‬ ‪#‎hipertrofia‬